Toad é um cara normalmente estranho.
Um Analista de Sistemas
Aspirante a Jornalista
Que adora Esportes e Cinema.
Política e Lógica.
Percussão e Bateria.
História e Tecnologia.
oO
A mudança é o propósito.
A ação é o foco.
Revolução Social ou sua comodidade de volta.
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CQC - Custe o que custar - Parte 2
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Constatação Incômoda
no dia 26 às 15h45
Devaneios de uma tarde, entre um e-mail e outro...
Por Toad
Por cerca de cinco minutos eu fiquei parado vendo as pessoas andando pelo meu andar.
Computadores aquecendo o rancor e montanhas de papel em cima do amor-próprio.
Sem exagero: Foi possível acompanhar os passos de alguns em câmera lenta.
E me permiti o clichê do questionamento sobre qual motivo embasava minha existência. O que eu to fazendo com a minha vida?
Há um curta-metragem chamado "Signs" (Link Youtube) em que os 3 primeiros minutos retratam bem o que eu senti.
Há poucos dias surgiram meus primeiros cabelos brancos e eu não sei se é apenas da idade ou de preocupações que não deveriam me preocupar. De pensamentos que eu não deveria pensar ou de problemas que eu não deveria resolver.
Hoje é fácil apreender que para pessoas comuns não há felicidade. O que nós temos são momentos felizes.
A gente se fode por meses e anos pra poder passar alguns dias com pessoas que a gente ama.
Me chame de compassivo, me julgue como quiser. Mas assim eu sou.
E cada segundo desse tempo junto com essas pessoas são de valia incomensurável. E com certeza é por isso que sentimos tanto sua falta, quando longe. E felicidade quando perto.
Aqui eu poderia fazer um paralelo (homeomorfo) sobre como esse anseio pode ser utilizado em uma analogia sobre a morte, mas já existe um texto meu que fala disso. (Link)
O que venho citar é justamente o ser vivo. As pessoas das quais a gente se espaça. Ou que se abduzem.
Pergunto: Você é feliz com a vida que você leva? O que você mudaria? O que está em suas mãos agora? Você está fazendo tudo o que você poderia fazer ou já se deixou corromper por uma indolência burguesa ou burra?
Tenho 28 anos hoje e ao contrário do que eu acreditava aos 17, ainda não conheço o mundo todo. Não falo várias línguas e não estou completamente feliz com o meu cotidiano.
E não, eu sei que não estou fazendo o suficiente. A gente é vítima APENAS de nossas atitudes. Nós sofremos diante do que nós fazemos com nossas vidas.
Amigos de outras cidades, da escola, faculdade, do bairro, família... Eu me afastei, eles o fizeram e assim nossas (ir)responsabilidades nos guiaram.
Cara, que vontade de ter acompanhado aquele momento do sorriso, da surpresa, da vitória. E eu não estava lá.
Do nascimento de um projeto, do acordo, da sorte. Como eu gostaria de ter dado risada daquele riso.
Mas cá estou eu. Parado em frente a esse computador, com vários papéis espalhados, um copo de café que olha pra mim com certo desprezo e me deixa de sorriso amarelo. Um telefone que não para de tocar e raríssimas coisas que me dão um pouco daqueles momentos felizes.
Não entenda isso como queixa. Como dito, a culpa é minha. Eu comando meus atos e eu deveria me desvencilhar do que não me faz bem.
Veja esse texto como um aviso. Afinal, você é feliz!? Se não, o que você está fazendo para transformar isso?!
E sim, eu preciso de férias.
Por Toad
Por cerca de cinco minutos eu fiquei parado vendo as pessoas andando pelo meu andar.
Computadores aquecendo o rancor e montanhas de papel em cima do amor-próprio.
Sem exagero: Foi possível acompanhar os passos de alguns em câmera lenta.
E me permiti o clichê do questionamento sobre qual motivo embasava minha existência. O que eu to fazendo com a minha vida?
Há um curta-metragem chamado "Signs" (Link Youtube) em que os 3 primeiros minutos retratam bem o que eu senti.
Há poucos dias surgiram meus primeiros cabelos brancos e eu não sei se é apenas da idade ou de preocupações que não deveriam me preocupar. De pensamentos que eu não deveria pensar ou de problemas que eu não deveria resolver.
Hoje é fácil apreender que para pessoas comuns não há felicidade. O que nós temos são momentos felizes.
A gente se fode por meses e anos pra poder passar alguns dias com pessoas que a gente ama.
Me chame de compassivo, me julgue como quiser. Mas assim eu sou.
E cada segundo desse tempo junto com essas pessoas são de valia incomensurável. E com certeza é por isso que sentimos tanto sua falta, quando longe. E felicidade quando perto.
Aqui eu poderia fazer um paralelo (homeomorfo) sobre como esse anseio pode ser utilizado em uma analogia sobre a morte, mas já existe um texto meu que fala disso. (Link)
O que venho citar é justamente o ser vivo. As pessoas das quais a gente se espaça. Ou que se abduzem.
Pergunto: Você é feliz com a vida que você leva? O que você mudaria? O que está em suas mãos agora? Você está fazendo tudo o que você poderia fazer ou já se deixou corromper por uma indolência burguesa ou burra?
Tenho 28 anos hoje e ao contrário do que eu acreditava aos 17, ainda não conheço o mundo todo. Não falo várias línguas e não estou completamente feliz com o meu cotidiano.
E não, eu sei que não estou fazendo o suficiente. A gente é vítima APENAS de nossas atitudes. Nós sofremos diante do que nós fazemos com nossas vidas.
Amigos de outras cidades, da escola, faculdade, do bairro, família... Eu me afastei, eles o fizeram e assim nossas (ir)responsabilidades nos guiaram.
Cara, que vontade de ter acompanhado aquele momento do sorriso, da surpresa, da vitória. E eu não estava lá.
Do nascimento de um projeto, do acordo, da sorte. Como eu gostaria de ter dado risada daquele riso.
Mas cá estou eu. Parado em frente a esse computador, com vários papéis espalhados, um copo de café que olha pra mim com certo desprezo e me deixa de sorriso amarelo. Um telefone que não para de tocar e raríssimas coisas que me dão um pouco daqueles momentos felizes.
Não entenda isso como queixa. Como dito, a culpa é minha. Eu comando meus atos e eu deveria me desvencilhar do que não me faz bem.
Veja esse texto como um aviso. Afinal, você é feliz!? Se não, o que você está fazendo para transformar isso?!
E sim, eu preciso de férias.
Comodidade
no dia 06 às 17h59
Avisa lá que apenas viver por viver é vegetar
Como as árvores dependentes e imóveis.
Avisa lá que falar por falar é ferir
é ver a dor se instaurar e sorrir.
Alguém bagunça lá
que ordenar por ordenar é se perder
Como o organizado almoxarife
cego, pobre e esquecido no depósito
Será que tem alguém aí dentro ainda?
Desse corpo que vaga alheio a todos seus anseios
Que sente tudo de novo e é incapaz de agir?
É sentir o vento na vela, o fogo na água da aquarela
é se deixar levar pelo rumor de não se ter rumo.
Alguém avise lá, alguém faça alguma coisa
Que essa coisa cada vez fica pior.
O buraco mais apertado
O ar mais rarefeito
as consequências mais sérias
mais feias causas aos efeitos
Alguém diz lá que tá tudo errado.
Que os lábios se movem, mas não dá pra ouvir nada
Que a comida entra, mas não há digestão
Que os olhos piscam inertes e impassivos
Que o combustível existe, mas não há combustão
Alguém por favor, por Deus, pelos Deuses, por Buda e Alá.
Alguém dê uma mão, uma corda, uma faca ou um abraço
Alguém faça alguma coisa, que coisa nenhuma eu mesmo faço.
Como as árvores dependentes e imóveis.
Avisa lá que falar por falar é ferir
é ver a dor se instaurar e sorrir.
Alguém bagunça lá
que ordenar por ordenar é se perder
Como o organizado almoxarife
cego, pobre e esquecido no depósito
Será que tem alguém aí dentro ainda?
Desse corpo que vaga alheio a todos seus anseios
Que sente tudo de novo e é incapaz de agir?
É sentir o vento na vela, o fogo na água da aquarela
é se deixar levar pelo rumor de não se ter rumo.
Alguém avise lá, alguém faça alguma coisa
Que essa coisa cada vez fica pior.
O buraco mais apertado
O ar mais rarefeito
as consequências mais sérias
mais feias causas aos efeitos
Alguém diz lá que tá tudo errado.
Que os lábios se movem, mas não dá pra ouvir nada
Que a comida entra, mas não há digestão
Que os olhos piscam inertes e impassivos
Que o combustível existe, mas não há combustão
Alguém por favor, por Deus, pelos Deuses, por Buda e Alá.
Alguém dê uma mão, uma corda, uma faca ou um abraço
Alguém faça alguma coisa, que coisa nenhuma eu mesmo faço.
Patriotismo x Futebolismo
no dia 22/06 às 11h24
Cansei, cara.
Cansei de ver alguns indivíduos criticando "do alto de seus sofás" e poltronas quem utiliza a bandeira do Brasil somente quando tem Copa do Mundo.
Primeiro pro que isso vai da liberdade individual de cada um e a isso cabe um respeito raro, mas necessário.
Segundo que é ÓBVIO que o sentimento durante esse evento passa longe de uma exaltação ao amor à pátria. E eu explico.
No Brasil, no "país do futebol", levanta-se a bandeira nacional pelo time desportivo que a representa.
Como em um campeonato onde se vê nos estádios bandeiras do Corinthians, do Palmeiras, Flamengo, Botafogo, Grêmio, Inter, Galo, Raposa, Galinha, Papagaio, Tartaruga, Rinoceronte, Ornitorrinco e qualquer outra representação do tipo.
Não é porque o cara vai usar verde e amarelo que ele vai se tornar mais patriota.
Ou você acha mesmo que a mudança de um avatar ou das cores de uma fotografia ou as bandeirinhas de plástico penduradas nas portas dos carros farão esses brasileiros amarem mais sua pátria?
Tornar-se-ão devotos imediatos de seu solo e das tradições de seu país? Sairão em luta e defesa da integridade da nação, combatendo a corrupção e requisitando de forma árdua e rígida as mudanças que nos tornariam um país mais justo e correto para com seus filhos?!
Seria interessante, mas me parece próximo do utópico. (Ou, em outras palavras, "Aham, Cláudia, senta lá... ")
Lembrem-se, muitos dos que usam a bandeira e torcem pela seleção sequer cantam o hino nacional no início das partidas.
O fato é: A Copa do Mundo é a maior competição esportiva do mundo, goste você de futebol ou não.
E muitos dos brasileiros esperam quatro demorados anos para poder ter o prazer de acompanhar disputas entre AS SELEÇÕES do globo todo, não entre os países.
Espera-se esse tempo todo para ver a SELEÇÃO ser campeã, para tirar sarro de argentino e torcer por uma equipe fraca ganhar da França.
Assim como muitos tiram as camisas de seu time do armário para ir ao estádio acompanhar a final do campeonato, muitos usam o verde e amarelo da seleção canarinho.
Torce-se pelo time, não pelo país. O time Brasil. A seleção de futebol do Brasil.
Rumual Ékissa
Obs: No momento em que esse texto estava sendo concebido, a África do Sul fez 1 x 0 no time da França! =P
Incomoda, mas é verdade...
no dia 07/06 às 18h39
Apesar de não achar graça, acho a vida é um troço engraçado...
A gente luta muito pra conquistar alguma coisa e quando o tem, desdenha.
E quando não tem mais, o valoriza novamente.
Tão demente é o ser que se assemelha a nós, pobres mortais de atos e palavras eternas.
Pobres diabos que andam trançando pernas e ricocheteando pelas paredes de qualquer caminho que caminhem.
Os valores e as imagens são deturpados. A crítica é feita a um espelho distorcido. Que reflete variantes de côncavo e convexo que os olhos se esforçam pra dar nexo.
Flexionar o simples ao complexo, meio que sem entender qual o motivo.
Assim somos nós reles realezas ao relento de lágrimas incontidas e tronos ilusórios.
E os mesmos pingos que ofuscam são os que dão brilho ao que não conseguimos ver.
Exatamente como nas manhãs frias e sonolentas, caminhando para seu destino desconhecido, quando se olha para a iluminação pública, caótica.
Ao chegar do sol, o paradoxo: a luz pode se apagar a qualquer momento.
A gente luta muito pra conquistar alguma coisa e quando o tem, desdenha.
E quando não tem mais, o valoriza novamente.
Tão demente é o ser que se assemelha a nós, pobres mortais de atos e palavras eternas.
Pobres diabos que andam trançando pernas e ricocheteando pelas paredes de qualquer caminho que caminhem.
Os valores e as imagens são deturpados. A crítica é feita a um espelho distorcido. Que reflete variantes de côncavo e convexo que os olhos se esforçam pra dar nexo.
Flexionar o simples ao complexo, meio que sem entender qual o motivo.
Assim somos nós reles realezas ao relento de lágrimas incontidas e tronos ilusórios.
E os mesmos pingos que ofuscam são os que dão brilho ao que não conseguimos ver.
Exatamente como nas manhãs frias e sonolentas, caminhando para seu destino desconhecido, quando se olha para a iluminação pública, caótica.
Ao chegar do sol, o paradoxo: a luz pode se apagar a qualquer momento.
#SPOILER! Sobre o final de LOST
no dia 26/05 às 16h04
#SPOILER #SPOILER #SPOILER
Li neste post do caderno de entretenimento do portal R7, escrito por Luiz Pimentel que o autor acredita que "A realidade paralela da última temporada o purgatório de Jack". E deixa claro que se trata APENAS disso.
Sem levar em consideração a quem o site pertence e ignorando qualquer influência tendenciosa, resolvi responder:
Discordo, mas não completamente.
É o purgatório de Jack? Claro, isso ficou evidente para todo mundo.
Mas nada impede a interpretação de que ele apenas foi o último a se dar conta que morreu.
Nada impede ele ter morrido na Ilha, Hugo e Ben terem morrido lá, Kate, Lapidus e o pessoal do avião terem voltado para os EUA, vivido suas vidas e morrido de velhice ou por qualquer motivo que seja.
Como você mesmo disse: O pai de Jack lembrou: “Todos MORRERAM. Uns mais cedo, outros mais tarde”.
Se fosse apenas a representação da morte de Jack, por que cenas como as de Juliet com a Sun e seu marido aconteceriam? As da Liby, do próprio Hugo.
A cena à frente da Igreja, onde Ben se nega a entrar, e Hurley agredece por ele ter sido seu fiel número 2, deixando claro que eles ainda conviveram bastante antes de morrer.
Ou da cena de James tendo o flashback da morte de Juliet.
Jack não viu essas cenas. Portanto, não se trata apenas de Jack.
Ele viu a Kate dizendo que estava morrendo de saudade, como se fizesse algum "tempo" sem que eles se vissem, como se ela estivesse esperado por isso também.
Aconteceu o seguinte: Em dado momento, em um plano atemporal (chame do nome que quiser), todos estavam presos, todos precisavam se "deixar ir", mas por algum motivo estavam presos à esse plano.
Até que Desmond começou de forma magistral a fazer com que todos os personagens se dessem conta de suas mortes.
Tanto é, que na cena onde James surge no hospital dizendo que teria que proteger a Sun de um possível ataque de Desmond, ela, com um sorriso no rosto o respondeu: "Não, você não precisa mais me proteger de nada" - afinal, ela já estava morta e nada mais daquilo importava.
O episódio final mostrou que Jack foi o último a se pemitir "deixar ir".
E todos se encontraram sob a forma que se conheciam para juntos irem para o céu, para a luz, para a paz.
Li neste post do caderno de entretenimento do portal R7, escrito por Luiz Pimentel que o autor acredita que "A realidade paralela da última temporada o purgatório de Jack". E deixa claro que se trata APENAS disso.
Sem levar em consideração a quem o site pertence e ignorando qualquer influência tendenciosa, resolvi responder:
Discordo, mas não completamente.
É o purgatório de Jack? Claro, isso ficou evidente para todo mundo.
Mas nada impede a interpretação de que ele apenas foi o último a se dar conta que morreu.
Nada impede ele ter morrido na Ilha, Hugo e Ben terem morrido lá, Kate, Lapidus e o pessoal do avião terem voltado para os EUA, vivido suas vidas e morrido de velhice ou por qualquer motivo que seja.
Como você mesmo disse: O pai de Jack lembrou: “Todos MORRERAM. Uns mais cedo, outros mais tarde”.
Se fosse apenas a representação da morte de Jack, por que cenas como as de Juliet com a Sun e seu marido aconteceriam? As da Liby, do próprio Hugo.
A cena à frente da Igreja, onde Ben se nega a entrar, e Hurley agredece por ele ter sido seu fiel número 2, deixando claro que eles ainda conviveram bastante antes de morrer.
Ou da cena de James tendo o flashback da morte de Juliet.
Jack não viu essas cenas. Portanto, não se trata apenas de Jack.
Ele viu a Kate dizendo que estava morrendo de saudade, como se fizesse algum "tempo" sem que eles se vissem, como se ela estivesse esperado por isso também.
Aconteceu o seguinte: Em dado momento, em um plano atemporal (chame do nome que quiser), todos estavam presos, todos precisavam se "deixar ir", mas por algum motivo estavam presos à esse plano.
Até que Desmond começou de forma magistral a fazer com que todos os personagens se dessem conta de suas mortes.
Tanto é, que na cena onde James surge no hospital dizendo que teria que proteger a Sun de um possível ataque de Desmond, ela, com um sorriso no rosto o respondeu: "Não, você não precisa mais me proteger de nada" - afinal, ela já estava morta e nada mais daquilo importava.
O episódio final mostrou que Jack foi o último a se pemitir "deixar ir".
E todos se encontraram sob a forma que se conheciam para juntos irem para o céu, para a luz, para a paz.
Essa é uma história de amor
no dia 24/04 às 04h04
Sob a sombra que se fez da luz do sol na lâmina já suja de sangue, a sobra do que existia da pele enrugada.
O frescor daquele momento saboreado em todos os seus detalhes.
O corpo despido já gelado espalhado minuciosamente às partes, indicando cada ítem escrito no assoalho, nas paredes e na vidraça, seguindo um padrão lógico que formaria o soneto.
Cada marca cravada delicadamente na cútis azulada desvela notas musicais em tons que mistura o fúnebre e o poético.
Ele vê e ouve a música em cores, e cada contratempo o lembra de um momento feliz que passaram juntos.
O fim da melodia marca justamente o instante que o motivou a tal ato, em que num hiato maldito, aflito, o fez de gato e sapato.
Os olhos e suas veias apoiados no lustre assistiam todo o espetáculo, como que se quisesse que nada deixasse de ser registrado. Como se acreditasse que aquela esfera arregalada ainda fosse o envólucro de impulsos elétricos.
Pendurou os órgãos internos no quadro da escadaria central de forma a serem vistos imediatamente por quem entrasse, dispostos milimetricamente sob a forma de um coração, na união de cada peça. Pregos ilustravam o adorno.
Com o sangue de seu útero ele pintou fetos por todo o quarto. Nomeou cada um deles, seus filhos, que ela preferiu dar a outro. Bebeu e soluçou todo o vinho que não fora usado.
Em suas últimas palavras, dentre lágrimas e gargalhadas, lembrou a sua não mais amada de todos os sonhos que concretizaram e todo o pesadelo que ela causou.
Com o fogo das fotos que mostravam sem deixar dúvidas que tudo o que ele construiu, fora por ela desprezado, queimou a si mesmo, do lado de fora da mansão, preso a arames e uma barra de aço.
Durante a noite toda a fumaça pode ser vista de longe e o cheiro ficou alí por anos.
Pra demonstrar o perfume que ele sentia ao se deitar com ela.
O frescor daquele momento saboreado em todos os seus detalhes.
O corpo despido já gelado espalhado minuciosamente às partes, indicando cada ítem escrito no assoalho, nas paredes e na vidraça, seguindo um padrão lógico que formaria o soneto.
Cada marca cravada delicadamente na cútis azulada desvela notas musicais em tons que mistura o fúnebre e o poético.
Ele vê e ouve a música em cores, e cada contratempo o lembra de um momento feliz que passaram juntos.
O fim da melodia marca justamente o instante que o motivou a tal ato, em que num hiato maldito, aflito, o fez de gato e sapato.
Os olhos e suas veias apoiados no lustre assistiam todo o espetáculo, como que se quisesse que nada deixasse de ser registrado. Como se acreditasse que aquela esfera arregalada ainda fosse o envólucro de impulsos elétricos.
Pendurou os órgãos internos no quadro da escadaria central de forma a serem vistos imediatamente por quem entrasse, dispostos milimetricamente sob a forma de um coração, na união de cada peça. Pregos ilustravam o adorno.
Com o sangue de seu útero ele pintou fetos por todo o quarto. Nomeou cada um deles, seus filhos, que ela preferiu dar a outro. Bebeu e soluçou todo o vinho que não fora usado.
Em suas últimas palavras, dentre lágrimas e gargalhadas, lembrou a sua não mais amada de todos os sonhos que concretizaram e todo o pesadelo que ela causou.
Com o fogo das fotos que mostravam sem deixar dúvidas que tudo o que ele construiu, fora por ela desprezado, queimou a si mesmo, do lado de fora da mansão, preso a arames e uma barra de aço.
Durante a noite toda a fumaça pode ser vista de longe e o cheiro ficou alí por anos.
Pra demonstrar o perfume que ele sentia ao se deitar com ela.
Um infinito é maior que o outro
no dia 22/04 às 10h16
Acho que não existe melhor maneira para provar conceitos sobre o infinito, que utilizando os relacionamentos amorosos - e a recíproca.
("uiuiui que mimimi" - calma. Nem tanto)
Eu tenho visto o fim de relacionamentos de amigos meus com tanta surpresa quanto ver a imagem de um zepelim prateado flutuando por sobre os prédios de São Paulo. Atônito e incerto.
E aqui me faço valer de conceitos de cálculo aprendidos árduamente na faculdade:
Um infinito é maior que o outro. - Sim, exatamente isso.
No infinito A (Entre 0 a 1) existem infinitos números. No infinito B (Entre 0 e 10) existem infinitos números.
Mas A < B.
E porque estou falando essas baboseiras? Primeiro porque o blog é meu (ahahahahah).
Segundo, porque nesses relacionamentos de amigos meus, é comum a exaltação do amor infinito, da certeza de se ter encontrado a alma gêmea. Lindo.
É um amor tão perfeito. Tão bonito. Que dá-se a impressão do eterno, de fato.
Não quero utilizar a frase "que seja eterno enquanto dure", porque, convenhamos, que boring.
Mas é algo próximo a isso: Tenho visto relacionamentos eternos de 6 meses. De 1 ano. De 5 anos. De 10 anos.
E outros que continuam com o contador ativado. E que continuem assim.
O ponto aqui (e por favor, esse é o valor e razão desse texto) é a reação post-mortem que os candidatos a "felizes-para-sempre" acabam tendo. Acabam.
A pessoa passa 6 meses, 1 ano, 5 anos, 10 anos convivendo com outra, sendo feliz e fazendo feliz, compartilhando de fluídos corporais a realização de sonhos, viagens e abraços, beijos, segredos.
Para no fim, deixar-se corromper por um escudo travestido em ódio tornando-se um poço de mágoas e sentimentos deploráveis, impossibilitando qualquer chance de uma reaproximação, de fazer dar certo.
Claro, existem casos onde uma das duas partes se porta como um verdadeiro imbecil levando o relacionamento a um colapso irreversível. E aqui talvez o escudo seja um remédio, digamos, aceitável.
Portas fechadas, cadeado trancado, caso encerrado.
Mas na maioria dos casos aos quais esse texto se relaciona, é o superficial quem comanda a festa às avessas do ego e do orgulho.
E ambos passam então o resto da vida procurando um ao outro em relações vazias e incompletas.
Espero que vocês dois saibam que esse texto é pra vocês.
("uiuiui que mimimi" - calma. Nem tanto)
Eu tenho visto o fim de relacionamentos de amigos meus com tanta surpresa quanto ver a imagem de um zepelim prateado flutuando por sobre os prédios de São Paulo. Atônito e incerto.
E aqui me faço valer de conceitos de cálculo aprendidos árduamente na faculdade:
Um infinito é maior que o outro. - Sim, exatamente isso.
No infinito A (Entre 0 a 1) existem infinitos números. No infinito B (Entre 0 e 10) existem infinitos números.
Mas A < B.
E porque estou falando essas baboseiras? Primeiro porque o blog é meu (ahahahahah).
Segundo, porque nesses relacionamentos de amigos meus, é comum a exaltação do amor infinito, da certeza de se ter encontrado a alma gêmea. Lindo.
É um amor tão perfeito. Tão bonito. Que dá-se a impressão do eterno, de fato.
Não quero utilizar a frase "que seja eterno enquanto dure", porque, convenhamos, que boring.
Mas é algo próximo a isso: Tenho visto relacionamentos eternos de 6 meses. De 1 ano. De 5 anos. De 10 anos.
E outros que continuam com o contador ativado. E que continuem assim.
O ponto aqui (e por favor, esse é o valor e razão desse texto) é a reação post-mortem que os candidatos a "felizes-para-sempre" acabam tendo. Acabam.
A pessoa passa 6 meses, 1 ano, 5 anos, 10 anos convivendo com outra, sendo feliz e fazendo feliz, compartilhando de fluídos corporais a realização de sonhos, viagens e abraços, beijos, segredos.
Para no fim, deixar-se corromper por um escudo travestido em ódio tornando-se um poço de mágoas e sentimentos deploráveis, impossibilitando qualquer chance de uma reaproximação, de fazer dar certo.
Claro, existem casos onde uma das duas partes se porta como um verdadeiro imbecil levando o relacionamento a um colapso irreversível. E aqui talvez o escudo seja um remédio, digamos, aceitável.
Portas fechadas, cadeado trancado, caso encerrado.
Mas na maioria dos casos aos quais esse texto se relaciona, é o superficial quem comanda a festa às avessas do ego e do orgulho.
E ambos passam então o resto da vida procurando um ao outro em relações vazias e incompletas.
Espero que vocês dois saibam que esse texto é pra vocês.
Surreal as looking for your ashes before die
no dia 05/04 às 16h48
Fazia frio naquela manhã inglesa e a senhora Llewelyn Davies acabara de acordar de um pesadelo.
Um dia antes do Natal, a neve tomava conta de sua varanda e janelas.
Ainda atônita, ofegante e com o coração palpitando, a jovem senhora só podia lembrar de tal sensação em algumas noites de sexo em meio a romances com seu primeiro amante, que as essas alturas era apenas história.
A donzela de ferro mantinha seu ritual matinal de servir farelo aos porcos e quirela aos galos. Recolhia os ovos e colocava água para as galinhas, além do feno do pequeno cavalo que escondia em um dos aposentos, com cama de molas e lençóis de seda.
Quase uma serva da sociedade dos animais. Mas jamais admitiria. Pelo contrário.
Sempre bem vestida, caminhava com seus sapatos de cores fortes, pé ante pé ao barro, sem perder o foco, de forma a reluzir suas pérolas e seus olhos, apesar de um constante sorriso amarelo e quase sarcástico.
Escritora aposentada, recolhia o jornal para o café da manhã, faminta.
Nada variava em seu cardápio: Ovos, bacon, um croissant casado com um suco de laranja.
Após isso, uma trufa de chocolate muito bem recheada.
O banquete era servido ao som dolorido do anúncio da morte da Madonna, repetido incessantemente no antigo aparelho de uma tecnologia chamada Ême-Pê-Três. Apesar da sobremesa doce, o soneto era preenchido com retratos e lágrimas.
A impecável exatidão dessa mesmice quase não era notada por Llewelyn Davies.
Os dias só mudavam quando o senhor dos anéis passava para ofertar novos modelos de jóias.
Era de confiança e não cobrava juros em caso de pagamentos parciais, oriundos sempre da pensão do falecido marido, meio português, meio chinês, Manuel Chaolin.
Fã de Cinema, o velho ainda em vida improvisou uma tela e projetor em sua cozinha. Sim, na cozinha. Padeceu de um ataque do coração durante a exibição do primeiro filme.
Sua esposa continuou gostando de filmes, principalmente de amor e alguns documentários.
De "Viagem a Saturno" a "A boca aberta servida em pratos no período pós-punk", os títulos passavam do mais inocente desenho animado aos mais picantes e bizarros filmes eróticos.
Costumava convidar, para acompanhar as películas, uma vizinha chamada Susi Miglioli, italiana com pouco mais de 60 anos e dificuldades de locomoção. Uma das poucas pessoas que conseguiam entrar nos aposentos de Davies.
Ao término da projeção, sempre existia uma discussão boba e elas prometiam nunca mais se falarem. Mas voltavam.
Pode parecer estranho, mas elas assumiam, em segredo, que esse era seu destino.
Insólito, não?
Um dia antes do Natal, a neve tomava conta de sua varanda e janelas.
Ainda atônita, ofegante e com o coração palpitando, a jovem senhora só podia lembrar de tal sensação em algumas noites de sexo em meio a romances com seu primeiro amante, que as essas alturas era apenas história.
A donzela de ferro mantinha seu ritual matinal de servir farelo aos porcos e quirela aos galos. Recolhia os ovos e colocava água para as galinhas, além do feno do pequeno cavalo que escondia em um dos aposentos, com cama de molas e lençóis de seda.
Quase uma serva da sociedade dos animais. Mas jamais admitiria. Pelo contrário.
Sempre bem vestida, caminhava com seus sapatos de cores fortes, pé ante pé ao barro, sem perder o foco, de forma a reluzir suas pérolas e seus olhos, apesar de um constante sorriso amarelo e quase sarcástico.
Escritora aposentada, recolhia o jornal para o café da manhã, faminta.
Nada variava em seu cardápio: Ovos, bacon, um croissant casado com um suco de laranja.
Após isso, uma trufa de chocolate muito bem recheada.
O banquete era servido ao som dolorido do anúncio da morte da Madonna, repetido incessantemente no antigo aparelho de uma tecnologia chamada Ême-Pê-Três. Apesar da sobremesa doce, o soneto era preenchido com retratos e lágrimas.
A impecável exatidão dessa mesmice quase não era notada por Llewelyn Davies.
Os dias só mudavam quando o senhor dos anéis passava para ofertar novos modelos de jóias.
Era de confiança e não cobrava juros em caso de pagamentos parciais, oriundos sempre da pensão do falecido marido, meio português, meio chinês, Manuel Chaolin.
Fã de Cinema, o velho ainda em vida improvisou uma tela e projetor em sua cozinha. Sim, na cozinha. Padeceu de um ataque do coração durante a exibição do primeiro filme.
Sua esposa continuou gostando de filmes, principalmente de amor e alguns documentários.
De "Viagem a Saturno" a "A boca aberta servida em pratos no período pós-punk", os títulos passavam do mais inocente desenho animado aos mais picantes e bizarros filmes eróticos.
Costumava convidar, para acompanhar as películas, uma vizinha chamada Susi Miglioli, italiana com pouco mais de 60 anos e dificuldades de locomoção. Uma das poucas pessoas que conseguiam entrar nos aposentos de Davies.
Ao término da projeção, sempre existia uma discussão boba e elas prometiam nunca mais se falarem. Mas voltavam.
Pode parecer estranho, mas elas assumiam, em segredo, que esse era seu destino.
Insólito, não?
Assistindo ao This is It...
no dia 04/04 às 19h09
Eis que surgem as seguintes frases do pessoal que estava assistindo junto:
"E essa luvinha dele, cheia de lantejoulas??" - Claro... afinal, diamante de pobre é isso mesmo?
"Pole Dance também é cultura, gente..." - ahahahaha claro, claro...
"Ai, como você é burro. Não é Píre... é Billy!!" - sobre o refrão da música Beat it.
"Olha, a unha dele é mais escura que o resto do corpo!" - viva o Full HD, né gente?
"Credo, tadinho, tava parecendo o Grinch" - hahahahahah tava...
"Não, ele não morreu... é estratégia de marketing..." - Clássico comentário conspiratório.
"Pra que ele faz isso? Quer que joguem confetes?"; "Não, ele quer que joguem crianças!" - ahhaahh
E viva um domingo de páscoa regado a vinho e Michael Jackson!!
"E essa luvinha dele, cheia de lantejoulas??" - Claro... afinal, diamante de pobre é isso mesmo?
"Pole Dance também é cultura, gente..." - ahahahaha claro, claro...
"Ai, como você é burro. Não é Píre... é Billy!!" - sobre o refrão da música Beat it.
"Olha, a unha dele é mais escura que o resto do corpo!" - viva o Full HD, né gente?
"Credo, tadinho, tava parecendo o Grinch" - hahahahahah tava...
"Não, ele não morreu... é estratégia de marketing..." - Clássico comentário conspiratório.
"Pra que ele faz isso? Quer que joguem confetes?"; "Não, ele quer que joguem crianças!" - ahhaahh
E viva um domingo de páscoa regado a vinho e Michael Jackson!!
Analogia Ociosa e Introspectiva
no dia 23/03 às 13h55
Eu realmente prefiro ver a vida como um restaurante caro de pratos dos mais variados, do arroz com feijão ao escargot, onde come-se bem, contando com a possibilidade de dar um tapa na bunda da garçonete e sair correndo sem pagar.



