no dia 23/04 às 08h23
Nos últimos meses, tenho causado estranhamento a muitos colegas e amigos, pelo simples fato de não me expressar muito a respeito da conjuntura política e das movimentações pré-eleitorais. Alguns inclusive começaram a especular com as possibilidades: de que não me envolvesse em nenhuma campanha*, de que talvez estivesse insatisfeito com a política, de que estivesse com medo de dar opinião, etc.
De fato quem apostou numa certa “desilusão” com a política, chegou perto. Realmente não tenho sido muito satisfeito com a situação política, principalmente no que tange à realidade local. Ver o bloco progressista de Pernambuco se digladiando em repetitivas picuinhas inúteis, que a História já mostrou como terminam às vezes por mais de uma vez, não tem nada de interessante ou agradável. As campanhas eleitorais cada vez mais profissionais, sem emoção, sem discussão de alto nível, também me desagradam...
Particularmente, me desagradou horrores a eleição municipal de Recife em 2008. Não só pela campanha em si, mas pelo que aconteceu depois dela. Em 2008, a militância de esquerda de Recife teve de fazer uma escolha difícil: Fazer campanha para um candidato “aguado”, ainda um tanto desconhecido e em certa dose “enrolado”, empurrado goela abaixo de todos, pelo CEU de João Paulo (homem público de perfil completamente diferente do seu sucessor), ou jogar fora a construção histórica iniciada por JP, oito anos antes. O que me levou a decidir foi a consciência de que as pessoas por mais significativas que sejam, apenas representam projetos coletivos. Confesso que foi convencido pela política, mas a muito contragosto que iniciei aquela campanha, mas no meio do caminho, surpresa! O DEMOcratas ajudou a arrefecer minhas críticas ao nosso candidato, protagonizando mais um vergonhoso episódio da política pernambucana, instigando aqueles que como eu, ainda mantinham um ritmo adverso de campanha. Não é exagero afirmar: O maior aliado de JC foi seu maior rival naquela eleição.
O posterior afastamento de JC do seu “criador” se converteu em mais um motivo para desagrado de minha parte.
Nesse meio-tempo, transferi minha militância para a cidade de Jaboatão dos Guararapes, onde uma coalizão foi formada após as eleições entre o candidato eleito e sua base original de sustentação e parte da esquerda, representada pelo meu partido, o PCdoB. Uma força-tarefa pela reconstrução política, econômica e social de uma cidade arrasada por décadas de sucessivos desgovernos, que sucatearam a pilharam a máquina pública municipal. Sabia que a tarefa não seria fácil, principalmente em uma cidade em que a cultura hegemônica é a do “toma lá, dá cá”, incitada principalmente (pasmem!), por uma boa parte dos membros do Legislativo Municipal. Há resistência à proximidade do governo com forças progressistas? Obviamente que sim, mas é natural do processo e também tínhamos consciência dessa dificuldade e ouso afirmar que estamos indo bem em nossa tarefa de quebrá-la.
Mas a “desilusão” não é o único motivo de meu silêncio.
O outro motivo vem a quebrar os outros argumentos aventados pelos colegas. O fato é que em minha opinião as coisas estiveram muito monótonas nos últimos meses. Decisões e movimentações óbvias tanto de um lado, quanto de outro! Ou será que alguém duvidou que Lula conseguisse manter a candidatura de Dilma Roussef? Alguém ainda não tinha certeza de que o candidato do PSDB seria José Serra? Será que ninguém suspeitava que Ciro Gomes iria tensionar até o máximo possível com sua pré-candidatura à Presidência para favorecer as negociações do PSB com o PT? E a briga-de-foice entre Humberto Costa e JP? Ninguém previu?
Num cenário destes, não há porque temer expor opiniões.
Se não me manifestei antes foi porque julguei não haver motivos, mas hoje é diferente!
Ao ler a coluna de Ancelmo Gois, deparei-me com a notícia de que Jarbas não mais seria candidato ao cargo de governador, achei por bem comentar o fato. A verdade, amigos, é que, se me permitem os amigos a falta de modos, Jarbas está se cagando de medo de perder a eleição por uma enxurrada de votos! Diferente de Miguel Arraes, que teve a coragem de se lançar candidato num momento extremamente difícil para o seu grupo político no Estado (com o escândalo dos precatórios tendo como um dos principais acusados, seu neto e herdeiro político, Eduardo Campos), Jarbas não está convencido a ser levado ao matadouro pelo bem da União por Pernambuco. Se Eduardo Campos é governador hoje, deve muito ao fato de Arraes ter tido “colhões”, para enfrentar Jarbas e seu jogo sujo em 1998. E antes que os asseclas do Senador pemedebista me venham com chorumelas: a História mostra que o grupo ao qual pertence sempre se utilizou de expedientes no mínimo reprováveis para se alçar ao poder: Na década de oitenta, a vítima foi Sérgio Murilo, que após derrubar Jarbas nas prévias do MDB, teve de enfrentar o mesmo, já no PSB. A campanha de Jarbas levou a cabo uma intensa campanha difamatória contra o ex-correligionário. Na década de noventa foi a vez de Arraes enfrentar os precatórios, concorrendo com o mesmo Jarbas. Na década atual, o alvo foi Humberto Costa, com o escândalo da chamada “Máfia dos Vampiros”, enfrentando Mendonça Filho.
E eu ainda tenho de agüentar, ver Jarbas Vasconcelos dando entrevistas em rede nacional, para falar da moral e da honra dos outros!
Existem para a União por Pernambuco dois caminhos a tomar nas eleições de Outubro: Ou Jarbas sai candidato para tentar manter unida a coalizão conservadora que já vem perdendo muito espaço (graças ao trabalho muito bem conduzido de cooptação levado a cabo por Eduardo Campos), apostando num cargo ministerial num improvável governo Serra, ou entrega o jogo por WO, lançando um candidato sem expressão, daqueles que não se elegem nem com a agência de Duda Mendonça e o caixa de Armando Monteiro Neto**.
Torço para que escolham o primeiro caminho. Imaginem, numa mesma eleição, mandar Marco Maciel e Jarbas Vasconcelos pra longe dos centros de poder? Seria um orgasmo político, seguido de infarte!
Obs.:
*Só pra não deixar arestas: Farei sim, campanha. Para Dilma Roussef, Eduardo Campos e os Senadores do bloco progressista (confesso minha preferência por João Paulo). Quanto aos deputados, aguardo ainda algumas definições partidárias para me engajar nas campanhas.
**: Antes mesmo de ver o artigo e, portanto, de saber a segunda opção que expressei no penúltimo parágrafo, um amigo ventilou a possibilidade de Raul Jungman ser o candidato de Jarbas. Estão vendo como se encaixa perfeitamente no perfil?