Quem é Marcelo Diniz (Foice65)?

Marcelo Diniz. Recifense, desde 12/07/1986.

Ex-Militante da União da Juventude Socialista (UJS), de 1999 a 2010, foi da Direção Estadual dessa entidade em Pernambuco, além de Secretário Municipal de Formação Política da entidade em Jaboatão dos Guararapes.

Ex-filiado ao PCdoB (Partido Comunista do Brasil), entre 2002 e 2010, cumpriu tarefa como Secretário de Formação Política, compondo a Direção Municipal dessa organização em Jaboatão.

Ex-Diretor de Relações Internacionais da Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas).

Ex-Secretário Geral da Umes-PE (União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Região Metropolitana de Recife-PE).

Atualmente divide seu tempo entre a Secretaria Especial da Juventude, da Prefeitura de Jaboatão e milita na Juventude do PT, compondo a Articulação Unidade na Luta (AUL), corrente que constrói o campo CNB (Construindo um Novo Brasil).

Twitter: @MarceloDinizBR
Comunidade no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=14003542
Fone: (81) 8667-0004 Envie uma mensagem para Marcelo Diniz (Foice65)
 
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Universidade Caótica de Pernambuco

no dia 30/08/2011 às 22h14
A despeito do que possa parecer para quem vê de fora, há alguns anos a situação da Universidade Católica de Pernambuco vai de mal a pior.
Ano após ano, os estudantes se vêem forçados a arcar com aumentos nas mensalidades acima do índice de inflação, justificados pela administração como uma necessidade, diante de uma situação supostamente deficitária. Esses aumentos, discutidos no Conselho Superior daquela instituição (órgão em que os estudantes possuem apenas uma cadeira, tendo a administração maioria absoluta), são discutidos quase que à revelia dos maiores interessados no assunto, no final do semestre, período em que todos estão preocupados com as provas e preparando-se para as merecidas férias, isso quando as mesmas ainda não começaram.
Como se não bastasse, os estudantes ainda sofrem com altas taxas administrativas, que dificultam o acesso a diversos serviços essenciais para a vida acadêmica, as bolsas de monitoria e para os atletas estão sendo extintas gradativamente, os cursos de licenciatura necessitam de mais investimentos. A climatização das salas-de-aula anunciada aos quatro ventos e citada na nota lançada hoje pela Unicap, só atingiu o bloco “G”, onde funciona na íntegra o curso de Direito, os equipamentos de esporte e lazer precisam de reformas e os poucos que ainda restam sofrem o risco de desaparecer, como aconteceu com uma das quadras, que foi derrubada para aumentar o espaço de estacionamento, sendo que a Universidade é proprietária do terreno onde está instalado um estacionamento privado.
Aliás, conviver com empresas privadas se utilizando de espaços que seriam bem melhor aproveitados nas atividades da Universidade, está se tornando algo corriqueiro por lá. Nos espaços antes utilizados para a realização de exposições, atividades de extensão e convivência dos estudantes, funcionários e professores, são diversas as lojas instaladas. No hall do bloco “A”, por exemplo, está proibida qualquer atividade, mesmo que ela não atrapalhe o cotidiano daquelas lojas, subvertendo o espaço do campus. Uma das lojas inclusive, fez diminuir o espaço de estacionamento dos professores, ocupando-o e a cozinha (trata-se de um fast-food) joga para dentro das salas-de-aula a fumaça com gordura de sua alimentação nada saudável, além de promover concorrência com o comércio familiar existente nos boxes da Rua do Lazer e incentivar uma alimentação longe da mais saudável.
A biblioteca da Unicap é outro setor que precisa de atenção. A renovação do acervo é uma necessidade lembrada por professores e estudantes, que sofrem, tendo muitas vezes que aguardar a devolução de volumes para poder prosseguir com suas pesquisas. Os estudantes podem pegar emprestados apenas quatro volumes por vez, mesmo que paguem um número superior de cadeiras, dificultando o aprendizado, sendo necessário implementar uma proporcionalidade equivalente. As multas por atraso (estes causados pela falta de acervo, já que os estudantes precisam muitas vezes ficar com os livros por muito tempo para não “perder a vez”), são altas e cobradas inclusive durante domingos e feriados. As impressões, antes feitas na própria biblioteca, foram extintas.
Essa é a realidade da Unicap que faz com que a instituição antes reconhecida como um importante instrumento de desenvolvimento científico da sociedade pernambucana, ganhe apelidos nada carinhosos por parte dos estudantes: “UnicapITAL”, “UnicaOS”, “Caótica”, “Unishopping”, são só alguns deles.
Será que os estudantes não gostam de sua Universidade? Creio que não, senão não estariam realizando um movimento de ocupação da Reitoria que busca melhores condições de permanência, mobilizando suas lideranças e até gente que nunca fez parte do movimento estudantil.
Infelizmente, até agora, a Unicap só se prestou ao papel de responder à ocupação, através de seu Pró-Reitor Administrativo Luciano Barros, que lamenta não ter podido ler os projetos de atividades do Diretório Central dos Estudantes (DCE-Unicap), por falta de tempo. O nome disso, Pró-Reitor, é descaso. Desrespeito àqueles que mantém, com o pagamento das mensalidades a sobrevivência dessa instituição.
Por último, mas não menos delator da lógica instituída por lá, resta denunciar o fato de que a Unicap impede as atividades do movimento estudantil, cancelando a reserva de espaços para a realização de atividades, como a Semana de Arte e Cultura da Unicap (SACU), promovida pelo DCE, já às vésperas da mesma, obrigando os estudantes a se retratarem com o público, os artistas e palestrantes, todos convidados voluntários, causando constrangimento à entidade.
No momento em que escrevo este artigo, uma integrante do DCE me conta mais uma notícia triste: Um professor resolveu dar aula a duas turmas ao mesmo tempo, obrigando estudantes a ficarem fora da sala ou sentar-se no chão.
Essa é a mesma Unicap que publicou hoje uma nota à comunidade acadêmica, dizendo-se democrática e aberta ao diálogo.
Não somos vagabundos, como gostam de nos chamar alguns, em baixo tom pelos corredores da Universidade (sim, nós escutamos professor), somos estudantes comprometidos com objetivos maiores que o de conquistar um diploma por pagar. Sonhamos com uma sociedade cada vez mais desenvolvida e com uma Universidade que dê respostas às suas demandas e para isso lutamos em defesa de melhores condições de ensino, com pesquisa e extensão para todos, enquanto a Unicap caminha na contramão, cortando o investimento dos cursos de extensão e obrigando os professores a correr atrás de patrocínio na iniciativa privada como única alternativa.
Ocupamos a Reitoria e só vamos sair quando houver diálogo de fato, que dê respostas às nossas reivindicações.

Por: Marcelo Diniz (Ex-Diretor de Relações internacionais da Ubes e Ex-Secretário da União dos Estudantes de Pernambuco “UEP-Candido Pinto”).

Luciano de Farias (Tesoureiro do Diretório Central dos Estudantes “DCE-Unicap” e Diretor de Cultura da União dos Estudantes de Perna1mbuco “UEP-Candido Pinto”).
 

Mais um militante de esquerda assassinado na Colômbia. Outro continua desaparecido...

no dia 17/08/2011 às 17h05
Nesses dias de grandes mobilizações em defesa da Educação, da Liberdade de Expressão e da Livre Organização no Chile por parte dos estudantes e da superação do desrespeito com as mulheres no Brasil, mais uma notícia ruim nos chega da Colômbia, com o assassinato de um militante e o desaparecimento de outro membro da JUCO (Juventude Comunista da Colômbia). Segue a nota divulgada pela organização, em tradução própria:


"Às 21h do dia 16 de Agosto do presente, os militantes Rafael Andrés Gonzalez Garnica e Franklin Medina conversavam no Restaurante Tricarne, localizado no município de Cartagena del Chairá (Caquetá), quando dois homens armados abriram fogo indiscriminadamente, matando Rafael Andrés no ato. O companheiro Franklin conseguiu escapar do tiroteio, mas seu paradeiro é desconhecido até agora.

Os camaradas administravam uma empresa de fotocópias nesta cidade e havia vários dias que recebiam provocações por parte da polícia, no sentido de acusá-los de colaborar com forças subversivas, por supostamente reproduzir no estabelecimento propagandas das FARC. Vale ressaltar que o município de Cartagena del Chairá tornou-se recentemente o palco de operações militares gerando uma verdadeira crise humanitária pelo deslocamento e violações dos Direito Humanos.

A Juventude Comunista da Colômbia condena tais atos criminosos e exorta as forças da nação e a comunidade internacional a rejeitar o extermínio sistemático e o desaparecimento forçado como estratégia estatal para eliminar as forças de esquerda e da oposição democrática da Colômbia.Solicitamos à Procuradoria e à Defensoria Pública as devidas providências investigativas e criminais para determinar a responsabilidade do Estado com estes atos hediondos.

Por fim, expressamos nossas condolências às famílias das vítimas e exigimos dos responsáveis por este bárbaro ato o respeito à vida e integridade física do camarada Franklin Medina. Queremos-no de volta o mais rápido possível, são e salvo, com a família, amigos e camaradas.

Por nossos mortos, nem um minuto de silêncio, toda uma vida de combate!"



Extraído de: http://www.pacocol.org/index.php?option=com_content&task=view&id=10122
 

Comunidades de Candeias revoltadas

no dia 22/03/2011 às 15h37
Na última sexta-feira, 18 de Março, próximo ao Conjunto Dom Hélder Câmara, em Candeias, Jaboatão dos Guararapes, uma jovem garota de 16 anos, estudante de escola pública (Escola Estadual Zequinha Barreto), voltava da aula quando desapareceu antes de chegar até sua casa. Algum tempo depois, o corpo foi achado, com marcas de três tiros (um na nuca, um no olho e outro de raspão no ombro). Segundo as informações, ainda um pouco desencontradas, ela teria sido espancada, mas a possibilidade de estupro foi desmentida por aqueles que viram o corpo, pois a vítima se encontrava vestida com uma calça e uma blusa.

Dito assim parece um crime tão comum aos nossos sentidos e sentimentos “calejados” pelos noticiários diários…

Talvez ajude se as pessoas souberem que ela era uma jovem dançarina, do grupo Corpos e Tambores, mantido pelo Movimento Pró-Criança, nascida e criada na periferia de Jaboatão dos Guararapes, que já havia dançado na Suécia, que já há algum tempo participava do Movimento Estudantil, integrando o Grêmio de sua escola e a Direção Municipal da União da Juventude Socialista, naquela cidade, que era uma das pessoas de maior potencial de liderança naquele núcleo que montamos no Conjunto Dom Hélder, no ano de 2009.

Não era somente muito jovem, mas também uma garota que aos poucos despertava para o papel que poderia cumprir pra melhorar as condições de vida do coletivo, fazendo a luta cotidiana a seu modo, ali, em seu local de moradia e estudo.

Mesmo quem mal a conhecesse, saberia, através de seu jeito forte, que ali estava uma pessoa acostumada a sofrer as pressões da vida e não baixar com facilidade a cabeça, a não aceitar facilmente as imposições de outros. Gostava de dançar, gostava de se divertir e estar com os amigos…

Se tudo isso ainda não fosse suficiente para transformar o sofrimento em algo insuportável para a família e os amigos, junte-se aí o fato de que o corpo ainda está retido no IML, por conta dos problemas naquele órgão (sucessivas vistorias do Conselho Regional de Medicina provaram a incapacidade de manter o órgão funcionando, por conta da sujeira, falta de manutenção, etc.), prorrogando a dor de todos os que conhecemos essa inteligente, forte e bonita garota, chamada Marleide da Silva Cavalcante.

Estamos revoltados com o ocorrido, mas o que revolta ainda mais é saber que um caso como este, ao cair no esquecimento, nos condena à dor da impunidade. Como não foi a filha de nenhum mandatário, empresário, nem industrial, a notícia rendeu uma repercussão muito pequena na grande mídia e a tendência é que vire estatística entre os crimes sem solução.

Nos revolta o fato de ser mais um crime contra uma mulher, jovem, de periferia, estudante, que tinha sonhos e planos que iam além do individualismo imperante na sociedade.

Não vai virar estatística!

Os amigos e a comunidade a partir de agora, se organizam para impedir que esse crime caia no esquecimento, denunciando na mídia e em todos os espaços possíveis o ocorrido e exigindo um basta nesta violência gratuita e insana que condena a juventude e o povo ao medo.

Contamos com o apoio daquelas pessoas e instituições que se dispuserem a ajudar.

Contato: marcelodinizmjt@live.com ou 8667-0004
 

Os sonhos não envelhecem!

no dia 25/02/2011 às 10h57
Muito se fala sobre um período em que os estudantes, vanguarda da luta do povo brasileiro, conquistaram inúmeras vitórias para a sociedade. A Liberdade, em suas mais diversas formas, a soberania nacional, a educação pública e um sem-número de outros temas sempre puderam contar com a contribuição da energia da juventude para sua defesa.
Essas mesmas pessoas, em geral, criticam uma postura menos radical do movimento estudantil de hoje e dizem que este não mais serve aos estudantes, que está vendido, na mão de governos, etc.
Esses críticos se dividem em dois grupos:

De um lado aqueles que perderam as disputas das entidades estudantis e preferiram sair dividindo o movimento, criando entidades paralelas, esvaziando os fóruns por não conseguir conformar uma base de sustentação política frente às principais forças do movimento; de outro, aqueles que antes reclamavam da radicalidade do movimento estudantil, por se encontrarem num campo político mais ortodoxo em relação ao papel dos movimentos sociais, inclusive os que durante décadas criminalizaram quem deles participava.

Em geral, são oportunistas. Dos dois lados.

É bem verdade que parte dos que faziam parte do movimento se desiludiu do mesmo por não conseguir mais acreditar na disputa de espaço dentro das entidades sem que se fizessem alianças com as forças hegemônicas do movimento, mas isso não justifica o esvaziamento desses fóruns, uma vez que se admitindo (hipoteticamente) o erro por parte das direções majoritárias, os estudantes que estavam ali precisariam de alguém que lhes ajudasse a enxergar esses erros. A melhor forma de fazer isso seria priorizar não a disputa dos congressos, ou das eleições de entidades, mas a construção de movimentos perenes pela base!
Quanto aos que não parte do movimento, é oportunismo panfletário, por conta da proximidade programática que os grupos hegemônicos têm da Agenda dos governos (especialmente o Federal). Não estou aqui defendendo a política de “chapa-branca”, mas sim a liberdade que tem o movimento estudantil de tentar encaminhar na medida do possível suas bandeiras, tornando-as políticas públicas reais, dando-lhes as vestes de políticas de ação afirmativa, etc.
É óbvio, que o preço dessas conquistas não pode ser a neutralidade do movimento frente àquilo que não for benéfico para a sociedade e nisso estou de acordo com setores mais “à margem” do movimento estudantil.
Não dá pra negar a contribuição que o movimento estudantil deu historicamente a esse país e à consolidação das instituições nessa sociedade. Se o movimento como está não nos serve, temos de transformá-lo por dentro e não fugindo do debate, nos prendendo em entidades esvaziadas que mais se parecem com feudos, ou currais, em que meia-dúzia de iluminados se acha representante da vontade dos estudantes, mas que no mundo real muito discute e pouco encaminha das bandeiras do movimento, comemorando algumas vitórias pontuais que bem poderiam ser maiores, se esses movimentos não se fechassem para as contribuições dos estudantes comuns, aqueles que estão dentro das salas-de-aula e sentem as necessidades da educação em seu dia-a-dia e que conhecem pouco das “grandes batalhas” a que o movimento acostumou-se a dar exclusividade.
É óbvio que não estou pedindo para que esses setores esqueçam a ideologia, mas precisam ser mais abertos a outras contribuições pontuais até mesmo para que consigam formar mais gente.
De minha parte, acredito que é preciso mudar a cultura do movimento estudantil, integrando atores que hoje não se vêem representados nos fóruns do movimento ou que quando vão, são tragados pela cultura vigente e deixam de dar sua contribuição na forma em que mais podem.
É preciso, além dessa readequação de postura no campo das idéias, uma reavaliação do trato com o patrimônio das entidades estudantis, que precisam ser geridas com mais responsabilidade. A arrecadação das entidades se baseia na produção das carteiras de estudante, que não é produto, mas objeto de garantia de direitos. Não só do direito à meia-entrada, nem do direito ao passe-estudantil, mas principalmente o direito a financiar a entidade que luta em defesa de seus direitos, de dar a essa entidade autonomia financeira para que não dependa de doadores externos e da influência de seus interesses.
A verdade é que nenhum golpe foi tão certeiro contra o movimento estudantil quanto a MP 2208. Por isso é preciso encontrar alternativas de financiamento que levem em consideração a lógica da soberania das entidades e permitam uma mudança radical na forma como se dá o trabalho das entidades, que hoje vivem da seguinte maneira: No início do ano os diretores das entidades nacionais, por exemplo, têm suas ajudas-de-custo pagas para que se mantenham em São Paulo, porque começam a entrar os recursos das carteirinhas, mas aí vem a Jornada de Lutas e o dinheiro acaba deixando esses mesmos diretores em maus-lençóis e as dívidas das entidades crescendo numa bola-de-neve até o ano seguinte.
Concordo que a prioridade tem de ser fazer política e não “fazer caixa”, mas até para se fazer política essas entidades têm de ter um melhor planejamento financeiro, para se manterem em atividade durante todo o ano.
É preciso também agregar valor à carteira de estudante, fechando parcerias com setores afins a esse público.
Para encerrar, é preciso estar atentos às influências das mudanças que o movimento conquistou nos últimos anos. A Universidade mudou, a escola mudou e muita gente que hoje se encontra nelas não sabe o que passamos pra conquistar essas mudanças. É óbvio que a educação ainda não está nem perto da excelência que queremos alcançar, mas já mudou consideravelmente num período de dez anos e é preciso contar essa História, mostrar como se deu esse processo, pra acabar de vez com o discurso derrotista que rola solto por aí. O amadurecimento do movimento estudantil também é resultado dessas mudanças, mas ainda é pequeno. Com o novo cenário econômico, é preciso repensar a relação e integrar cada vez mais dois temas: Educação e Trabalho.

Só assim o movimento estudantil poderá recuperar seu encanto sobre a juventude e tornar-se um pólo real de disputa da hegemonia da sociedade nos movimentos sociais.

Não é possível acreditar que do seio dessa juventude, tenham desaparecido os Honestino Guimarães, Edson Luis e Jonas José de Albuquerque, dessa vida!
Nós é que precisamos despertá-los!

“Os sonhos não envelhecem!” (Clube da Esquina)
 

Manifestos...

no dia 29/01/2011 às 12h56
Ano após ano é a mesma coisa: O preço das tarifas de transporte coletivo aumenta e a consequência é que estudantes e depois outros setores da sociedade civil organizada saem às ruas para protestar. Já virou até rotina. As pessoas se dividem entre os que apoiam os estudantes e os que se sentem prejudicados pelos atos públicos que fecham avenidas, causam atrasos e prejuízos financeiros a diversos setores. A grande mídia em geral aproveita para mostrar sua verdadeira face de defensora de interesses bem específicos, atacando os manifestantes com adjetivos pouco amigáveis e muito parciais.
Nesses últimos anos a discussão teve avanços e retrocessos marcantes, houve momentos em que a passagem baixou, melhorias no sistema de transporte foram conquistadas, critérios importantes para a definição de medidas para o setor foram modificados e momentos em que ao sair às ruas os estudantes e trabalhadores foram simplesmente espancados por apresentar suas reivindicações.
Parece que chegamos a outro momento decisivo.
Somando-se ao aumento das passagens, outras pautas têm atingido “em cheio” a passividade da ampla maioria da população e levado esses setores a mobilizarem-se: Aumento absurdo do salário dos parlamentares, aumento irrisório do salário mínimo, proibição de comércio informal nas ruas do centro da cidade, etc.
Obviamente o problema das tarifas tem mais propensão à evidência, pois atinge em cheio o bolso do trabalhador, sugando o parco aumento salarial dos trabalhadores e atingindo grandes parcelas da população. A péssima qualidade dos transportes, as dificuldades de acessibilidade, a demora, a falta de conforto e segurança, não justificam tal aumento e pioram ainda mais a reação do povo frente à “surpresinha” entregue durante as férias escolares e num período em que a lideranças estudantis se preparavam pra eventos importantes fora do estado, contribuindo para a dificuldade desses setores em mobilizar sua base social. Como se não bastasse, o responsável pela pata das Cidades, Danilo Cabral, que se comprometera em receber os estudantes ontem, 28 de Janeiro, quebrou o acordo firmado no início do mês, ordenando o esvaziamento do órgão algumas horas antes da chegada dos estudantes.
É um desastre a falta de habilidade do representante do Pode Executivo que, na qualidade de Presidente do Conselho Superior que analisa e delibera sobre o tema, tem o poder de convocar sua reunião. Esta atitude infantil tomada às vésperas da volta-às-aulas, pode provocar ainda mais problemas para o governo e agitação no espaço urbano. Ontem mesmo já vimos no que pode resultar: os estudantes, revoltados por terem sido feitos de palhaços por Danilo Cabral, resolveram continuar sua mobilização por algumas ruas do centro, interrompendo momentaneamente algumas vias e liberando-as a seguir de modo a apense tardar o trânsito enquanto denunciavam a traição. O resultado foi quase fatal para um estudante, que foi levado em cima do capô de um carro por mais de cem metros, por um motorista que adentrou o prédio do TER sem ser identificado (jornalistas e manifestantes ainda conseguiram fotografar a placa do veículo antes que o mesmo descesse ao estacionamento do órgão). Isso sem contar na atitude de ALGUNS MEMBROS da Polícia Militar de Pernambuco eu demonstraram total despreparo para lidar cm uma manifestação que nada mais é que um direito inalienável sob um regime democrático. Um policial não identificado chegou a ameaçar deliberada e desnecessariamente alguns manifestantes, claramente intencionado a provocar um episódio de violência, perguntando a um deles se preferia “apanhar agora ou depois” e afirmando a esse que vos escreve que seria “o primeiro a apanhar aqui mesmo”, num momento em que já havia acordo com o Comandante da operação quanto aos rumos da manifestação. O mesmo policial chegou a empurrar manifestantes, provocar discussões somente para depois tentar intimidar-nos dizendo: “Perguntei alguma coisa a você? Quem é você pra falar comigo?”. Nós, conscientes da responsabilidade que temos com a discussão a respeito dos transportes e da relevância do tema para a qualidade de vida da população, evitamos o confronto até o final do ato, na Rua do Hospício.
Vem-me à lembrança os episódios de 2005, quando o então comandante do Batalhão de Choque, o Sr. Meira, desfilou pelas ruas de Recife estrangulando estudantes e comandando ações em que estudantes eram trancados em vans cheias de gás de pimenta e até uma diretora de escola chegou a apanhar. Vem-me também a preocupação com o aumento do tensionamento nas manifestações, pois quando os governos se negam a discutir com os movimentos, o mais comum é que esses radicalizem mais e mais nas suas ações, para pressionar o poder público, o que pode provocar confrontos diretos. Além disso, a volta à aulas, aumenta o potencial de mobilização, mas também coloca um desafio a mais às organizações no sentido de dar coesão à ações, o que pode provocar maiores tensionamento ainda.
Sendo homem público, a atitude do secretário foi irresponsável. Sem contar que politicamente pode lhe atrair prejuízos consideráveis em médio prazo...
Mas quanto a esses prejuízos, não é só Danilo Cabral quem precisa tomar cuidado. João da Costa mais uma vez se coloca numa posição difícil, ao impedir já há dois meses, em alguns casos, cerca de 120 famílias de trabalhar no comércio informal da cidade.
A justificativa da PCR é que estas famílias estariam atrapalhando a circulação nas zonas centrais, além de haver uma preocupação com a saúde dos consumidores (boa parte desses trabalhadores comercializa com alimentos). Esta semana houve uma assembleia desses trabalhadores em que uma representação do pode público explicou a necessidade de desobstrução e regulamentação do espaço publico e do comércio na cidade para atender a demandas da Copa do Mundo. O que é inexplicável é porquê o poder público inverteu a ordem das ações, retirando primeiro os trabalhadores dos seus pontos de negociação e somente depois apresentando uma perspectiva de alternativa.
A proposta da prefeitura é construir um Shopping Popular para abrigar os comerciantes. Enquanto esse local não fica pronto, alguns deles terão direito a uma solução paliativa, no último módulo do camelódromo da Av. Dantas Barreto.
Além das críticas ao local, que não comporta todos os atingidos pelas medidas da PCR, não garante espaço suficiente para evitar o excesso de concorrência (só pra dar um exemplo, existem no grupo nove pessoas que trabalham com milho cozido e que ficariam muito próximas uma da outra) e fica num local isolado (Quem aí iria ao final da Dantas Barreto, procura de milho ou churros?), não foi dado um pro para a conclusão do Shopping Popular e nesta mesma semana um jornal local denunciou as condições do Shopping Popular Santa Rita, localizado no cais homônimo, construído há alguns anos e abandonado pelo poder público.
Faço minhas a palavras de um dos trabalhadores durante a Assembléia: Por que a Prefeitura não inverteu suas ações, primeiro criando o Shopping e somente depois retirando essas famílias das ruas?
Outra pergunta: Por que a Vigilância Sanitária não capacita os vendedores de comida, a exemplo do que foi feito com os vendedores de milho?
Quanto ao aumento dos parlamentares, mil ideias geniais foram lançadas por aí, mim bastaria que se vinculasse o aumento dos cargos eletivos e vitalícios ao reajuste do salário mínimo.
Esse cenário de insatisfação favorece a mobilização de massas e o ressurgimento dos movimentos sociais, alguns há muito mergulhados sob as comissões dos cargos estatais ou isolados pelo sectarismo político. O que se pode dizer com certeza é que os próximos capítulos dessa novela serão emocionantes.
 

Qual a revolta da Folha de São Paulo? ("Governo Lula põe publicidade em 8.094 veículos de comunicação" na Folha Poder)

no dia 28/12/2010 às 12h56
Em matéria de hoje na "Folha Poder", a "famiglia" Civita destila seu veneno contra o que chama de "espetáculo do crescimento" de veículos atendidos. Segundo a matéria da Folha, o crescimento foi de 1.522%, muito embora "inexistam estatísticas precisas à disposição" [no período FHC]. Ou seja:

A Folha reclama porque perderam espaço no universo geral das "publicidades.gov.br", os grandes veículos de comunicação de massa, pertencentes a meia-dúzia de famílias que se perpetuam no poder através de seus asseclas no Congresso Nacional e em outros feudos. Ao mesmo tempo, se eximem por exemplo, de criticar a falta de dados específicos do Governo FHC, enquanto atacam Lula por investir nos novos veículos de comunicação. A maioria deles muito distantes dos tradicionais e que mesmo sendo bastante menores, alcançam audiência quantitativa e qualitativa considerável.

Pra argumentar, a Folha cita o recente encontro do Presidente Lula com blogueiros progressistas. Pois bem, com raras exceções, posso falar muito bem de um dos blogs que participaram do encontro, o Acerto de Contas, de Marco Bahé e Pierre Lucena, que são aqui de Pernambuco (www.acertodecontas.blog.br). A Folha tenta desqualificar aqueles blog's, chamando-os de "chapa-branca". No caso do supracitado blog pernambucano, pelo menos, eu posso opinar: Não é. Pierre Lucena é conhecido como eleitor e defensor do Senador Jarbas Vasconcelos, um dos mais críticos membros do Congresso Nacional ao Presidente Lula, ao PT e até mesmo à direção de seu partido, o PMDB, que recentemente aderiu a Lula.Pierre, inclusive, é candidato a Reitor da UFPE, enfrentando o candidato Anísio Brasileiro, apoiado pelo atual Reitor e por partidos de esquerda naquela Universidade. Marco Bahé, é ex-Presidente da União da Juventude Socialista em Pernambuco e é co-fundador do blog. Portanto, o mínimo que se pode dizer é que é um blog plural.

O que há por trás dessa "denúncia" da Folha? O ódio e o preconceito contra Lula (por razões políticas) e contra aqueles que lutam em defesa da democratização da informação.

Se o atual governo dispersou as verbas entre mais veículos, isso só demonstra seu compromisso com essa bandeira de lutas dos movimentos sociais.

O que me espanta, é ver que muita gente avançada ainda cai nesse discurso simplista e panfletário da Folha, inclusive alguns membros de coletivos que lutam, vejam só, pela democratização da mídia...

Poucos atentam para o fato de que o desejo subliminar da Folha e da grande mídia nesse momento, é desviar o debate pra longe de iniciativas como a ADO 11, que tem por objeto três iniciativas importantíssimas para a liberdade de imprensa com responsabilidade social:

1 Direito de Resposta a todo cidadão citado por veículo informativo;
2 Proibição de monopólio e oligopólio no setor de comunicação; e
3 Preferência a programação de conteúdo informativo, educativo e artístico, além de priorizar finalidades culturais nacionais e regionais.

Três questões presentes na Constituição que até hoje não foram aplicadas de maneira satisfatória por falta de Lei Complementar que as regulamente.

Esse é o debate que deve estar em pauta!

P.S.: Para conhecer mais a respeito da ADO 11, leia o ótimo artigo publicado por José Reinaldo Carvalho , no Portal Vermelho: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=144400&id_secao=6
 

Desafios dos Movimentos Sociais no início do Governo Dilma

no dia 15/12/2010 às 14h35

Nos últimos anos o Brasil vem passando por mudanças importantes em nossa cultura política. Quando falo em cultura política não me refiro à questão político-partidária, mas sim num sentido bem mais amplo. A despeito da discussão simplista de ser contra ou a favor do Governo Lula, temos de tomar um certo distanciamento da disputa política para compreender os fenômenos que acontecem à nossa volta.
Do ponto de vista dos movimentos sociais, este país de hoje, nem de longe lembra o Brasil de 2002. Em oito anos, a capacidade de intervenção desses movimentos na agenda governamental cresceu de quase nenhuma, para alta. Enquanto nos anos noventa os movimentos sociais protagonizaram momentos de intenso enfrentamento às agendas impostas pelos governos, na última década, assistimos a diversas tentativas de incluir nas agendas institucionais, elementos recorrentes das agendas dos movimentos:. Bom exemplo disso é o movimento educacional, que conseguiu colocar em pauta, muitas vezes por iniciativa do Executivo, temas como o Piso Salarial Nacional, o Fundeb, as cotas universitárias, o fim da DRU, etc.
É preciso consolidar essa tendência, compreendendo que essa mudança de postura institucional, exige dos movimentos mudanças radical na sua forma de atuação. Falando aqui estritamente dos movimentos juvenis, acabaram-se as grandes manifestações de rua em defesa de pautas específicas. Mesmo nos momentos de disputa interna do movimento estudantil, até mesmo velhos adversários hoje mantém um nível de interlocução invejável para outros países. Nisso, há ônus e bônus. Se por um lado isso demonstra a maturidade das lideranças juvenis, por outro é mal-visto pelas bases sociais do movimento, que prefere desconfiar de um “entreguismo” ou “peleguismo” desenfreado das lideranças, para com suas pautas e conquistas. Enquanto os movimentos aprendem a trabalhar na vigência do possível, as massas populares vão tensionando para que essas lideranças não se limitem a tal e com o tempo as lideranças se encontram num dilema: Atender aos anseios das massas por bandeiras de luta mais radicais, ou aproveitar o momento de abertura da agenda para conquistar algumas vitórias pontuais e avanços de posição?
Este é um dos fatos que nos mostra o quanto nossos movimentos ainda são imaturos, em seu conjunto, para lidar com a oportunidade de influenciar de fato os rumos do país. É preciso realizar um esforço conjunto dos movimentos sociais, para elevar o nível do debate político entre a população, ao mesmo tempo em que atualizamos as bandeiras de luta desses movimentos.
Para isso, é preciso inovar nas formas de participação também dentro dos movimentos, promovendo a utilização das novas tecnologias, reafirmando o compromisso com as lutas específicas, promovendo novos quadros com planejamento de longo prazo, para que esses tenham tempo de aprender com nossos erros e dando-lhes consciência de que nem sempre foi assim “tão fácil” exercer nossa influência na institucionalidade, evitando também o perigoso pensamento estreito de que somente os governos são espaços importantes para a mudança da realidade social e fazendo muita luta de frente. Se não dá pra fazer uma passeata, dá pra fazer um twitaço, se não uma conferência, então seminários descentralizados, se não há tempo na reunião para aprofundar todos os temas, discussão em lista de e-mails.
Com o fim da Era Lula na Presidência, é preciso abastecer o novo governo com novas pautas que acenem para avanços maiores, tanto na consolidação de uma democracia cada vez mais participativa, quanto na promoção de políticas públicas que gerem soluções permanentes para os problemas que causam ainda níveis altos de desigualdade nos direitos sociais e subdesenvolvimento de algumas áreas da economia. Avançamos bastante nos últimos anos, mas é preciso avançar ainda mais, ou o retrocesso será desastroso, tanto do ponto de vista do acúmulo formulativo dos movimentos sociais, quanto do desenvolvimento do país.
 

"Mais um ano se passou..."

no dia 13/12/2010 às 12h40
"E nem sequer ouvi falar em seu nome..."

A vida vai passando, os anos vão terminando e a gente se pergunta o que fazemos aqui? Será que nossa existência tem um por que? Ou será a vida apenas um capricho da natureza, do destino?

Conhecemos ou reencontramos pessoas maravilhosas e mergulhados em tantas dúvidas sobre a existência ou em nossas mesquinharias cotidianas, nem sempre aproveitamos o tempo que temos junto a elas.

Que as pessoas amem mais e melhor as pessoas!

Esse é o meu desejo pra 2011!
 

Rio em guerra e Ronaldo lamentando no twitter...

no dia 25/11/2010 às 14h50
Eu não assisto TV. Be, raramente assisto.

Por isso não soube da confusão no Rio de Janeiro até chegar ao trabalho e ver as notícias pelo twitter.
Mas, mais surpreendente que os ataques do crime organizado, são as reações que eles causam em algumas pessoas.

É muito engraçado ver Ronaldo e outras celebridades twittando lamentos e mais lamentos à situação do Rio de Janeiro, mas eu nunca vi um deles defendendo em público políticas de inclusão social real.
Nunca vi essas celebridades mobilizando-se em passeatas, congressos, conferências ou mesmo coletando uma assinaturazinha pra um abaixo-assinado em defesa de mais recursos pra educação ou por melhor aparelhamento das forças armadas que cuidam de nossas fronteiras, ou mesmo em defesa da humanização das polícias.

Lamentar é fácil! Mobilizar-se é que são elas...
 

Mídia e responsabilidade social.

no dia 16/11/2010 às 13h35
Pois é. Depois de tanto alarde durante a campanha presidencial, em que a grande mídia protestou veementemente contra qualquer tentativa de controle social sobre os conteúdos veiculados em jornais e outros meios de comunicação, a semana começa com duas polêmicas: O comercial dos Correios, que pode ser conferido aqui: http://www.youtube.com/watch?v=UyEZjpCiia4

E a campanha pró-uso de camisinha no Reino Unido, feita para adolescentes, que pode ser conferida aqui:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2010/11/15/video_procamisinha_do_governo_britanico_causa_polemica_por_conter_cenas_quentes_83673.php

E agora? A mídia precisa ou não de controle social?
 
 
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