no dia 04/01/2008 às 14h26
Ronaldo foi sem dúvida, uma criança excepcional. Aprendeu a ler sozinho, aos quatro anos. Escreveu sua primeira frase aos cinco, se interessa, a frase estava sintaticamente perfeita. Os pais do menino ficaram muito impressionados e trataram de matricular o gênio precoce na escola. Mesmo sendo o mais novo da turma, Ronaldo foi o primeiro da sala.
Aos oito anos, o pequeno Ronaldo sagrou-se campeão da Olimpíada de Matemática do Estado de São Paulo.
Quando tinha nove, Ronaldo foi matriculado no Instituto de Idiomas, onde cursou, ao mesmo tempo, as aulas de Inglês, Espanhol, Italiano e Francês.
As peripécias do pequeno prodígio chegaram aos ouvidos do governador, que não tardou em condecorar o garoto com um diploma honorário e uma simbólica soma em dinheiro. Ronaldo usou o prêmio para pagar uma parte de um curso de alemão. A esta altura, com doze anos, o garoto já havia se tornado fluente em todas as outras línguas que estudava.
Ronaldo se afundava nos livros com a mesma alegria que os moleques de seu prédio chutavam uma bola. Cada desafio transposto, cada idioma que aprendia, cada equação biquadrada resolvida, fazia de Ronaldo uma pessoa mais completa e satisfeita.
Três anos se passaram e Ronaldo agora tinha quinze anos.
Um corte orçamentário fez com que o pai de Ronaldo fosse demitido da empresa onde trabalhava. Agora cabia à sua mãe sustentar toda a família e a casa. Ronaldo foi para a escola pública e teve de largar todos os cursos extracurriculares que fazia, inclusive o de Alemão, que estava muito próximo do fim e do qual tanto gostava.
Ronaldo não queria deixar as aulas de Alemão e fez de tudo para tal, chegando a pedir desesperadamente ao dono do Instituto de Idiomas por uma bolsa de estudos, por menor que fosse. Mesmo com o apoio de amigos e professores e com um brilhante histórico acadêmico nas costas, a bolsa lhe foi negada. Desde então, Ronaldo nunca mais viu o mundo da mesma maneira. Agora o mundo pertencia a quem tinha dinheiro para pagar por ele, não a quem queria transformá-lo em um lugar mais produtivo.
Com dezesseis anos recém-completos, Ronaldo desistiu de tudo. Jogou todas suas honrarias, medalhas e diplomas no lixo. Aos poucos, foi-se esquecendo de todas as cinco línguas que falava com fluência e perfeita dicção, contentando-se apenas com um Português ruim, muito ruim.
Aos dezoito anos, depois de ser reprovado no segundo ano colegial pela terceira vez, Ronaldo largou a escola de vez.
Com vinte e um anos, deu a bunda para um diretor de televisão e hoje é protagonista de uma novela adolescente babaca e sem conteúdo. Ele ganha milhares de reais.
Foi assim que Ronaldo chegou ao topo!